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Wednesday, 02 de July de 2025
A Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal de Rondonópolis ouviu, nesta terça-feira (1º), o médico Sinésio Gouveia Alvarenga, ex-presidente do Conselho Administrativo da Santa Casa de Misericórdia e membro da irmandade mantenedora. A oitiva faz parte das investigações que apuram a situação financeira do hospital filantrópico.
De acordo com o presidente da CEI, vereador Ibrahim Zaher, o depoimento foi fundamental. “O Dr. Sinésio teve uma participação por mais de seis anos e meio dentro da Santa Casa, como diretor executivo e é um membro da irmandade. Foi importante para a gente ver a transição que houve desde quando ele saiu para o momento em que houve a mudança do estatuto e a criação do conselho. Nós temos visto aqui, no interrogatório dos conselheiros, que muitas vezes eles não tinham conhecimento pleno daquilo que acontecia na Santa Casa e participação até de alguns contratos, de informações de contratos que foram primordiais para que a Santa Casa chegasse na situação que chegou até hoje," disse Zaher.
O relator da CEI, vereador Vinícius Amoroso, destacou que a comissão tem avançado nas apurações.
“A gente está sentindo que há um avanço, avanços consideráveis, algumas políticas já foram implantadas, inclusive a política de compliance, a transparência já foram implantadas, o modelo gestacional também já tem um novo formato. Então a gente acredita muito que já há avanços por conta da própria CEI. É claro que precisa se entregar um relatório, um relatório conclusivo, e é o que a gente está trabalhando para poder entregar.”, disse Amoroso.
Durante sua fala, Sinésio explicou que as dificuldades financeiras da Santa Casa são antigas e estruturais. “Quando entrei na Santa Casa, em 2016, ela já tinha uma dívida bastante considerável e uma previsão de fechar o ano com déficit ainda maior”, relatou o médico.
Ele também comentou sobre os sistemas de gestão da instituição. “Essa mudança foi feita durante a minha gestão como diretor-presidente. O estatuto era de 2004 e não era mais adequado para o momento, então precisava atualizar, mudou muito o sistema de gestão, é preciso melhorar a qualidade da gestão do hospital, investindo em diretores especializados e por isso foi mudado o estatuto criando um conselho gestor com diretorias executivas e isso ficou para ser implantado após a minha saída,” explicou o ex-diretor presidente.
Durante seu depoimento, o Dr. Sinésio contextualizou a crise financeira da Santa Casa.
“Isso é uma coisa que existe não só na Santa Casa de Rondonópolis, mas em todos os hospitais filantrópicos do país. Nós temos uma tabela SUS que é de 2003, que não prevê correção. Nós vivemos num país de altos índices de inflação. E os hospitais filantrópicos não recebem essa correção. Eu cheguei lá em 2016. Quando foi em 2017, o Poder Público Estadual pagava as UTIs num valor de em torno de R$ 1.500 por leito disponível. E em 2017, passaram a pagar R$ 1.300 e poucos por leito ocupado. Quando o certo para manter o mesmo valor que pagavam pelos leitos que tinham, teria que ter ido para R$ 1.900 e poucos,” explicou Alvarenga.
Ele ainda atribuiu a crise financeira da Santa Casa principalmente ao financiamento.
“O problema maior é de financiamento. A Santa Casa vende serviços para o poder público e ela não põe preço no serviço dela, ela não pode pôr preço, ela tem que vender para o preço que o comprador quer pagar. E ele paga como quer, não corrige valores e mantém esses valores indefinidamente. E não é possível que o hospital mantenha sem déficit,” concluiu o ex-diretor presidente.
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